Há 14 anos
domingo, 1 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
TEXTO DE JC ANJOS SOBRE A MOSTRA NOTAS GRÁFICAS NO BLOG VAGAMUNDOS
A arte que reverbera musica e uma outra exposição cuja a divulgação não faz jus a semana pós-Zumbi.
Notas gráficas – gravuras contemporâneas.
Seria um crime de minha parte deixar de visitar uma exposição que fica a 20 minutos de ônibus da minha casa. Ainda mais, uma exposição que de fato responderia minhas expectativas. Digo isso porque as exposições que eu tenho visitado aqui na baixada não foram muito estimulantes. A maioria simulacro de exposições. Porque no fundo não abordavam nenhuma discussão limitando-se a meros objetos exóticos nos trazendo sensações de deja vu. Nada mais que isso. Talvez isso se dê pelo fato das instituições, que organizam estas exposições, não levarem o publico longe dos centros urbanos (e em especial da baixada) tão a sério. Se for uma falsa impressão de minha parte pode até ser. Mas indícios é o que não faltam.
Mas existem pessoas sérias que apostam na arte e nas pessoas sem distinções. Pessoas sérias cuja preocupação é provocar diálogos entre o público. Aqui no caso, a gravura o publico através de outro diálogo. Com a musica.
E funcionou. No momento em que estive na exposição pude ouvir alunos de escolas publicas debatendo sobre as obras e seus “ruídos” que escapavam daqueles quadros e emanavam pelo labirinto da galeria. Ruídos visuais. Compreensíveis dentro de sua linguagem.
A minha ida já valeu pelo fato das colagens (que para mim é uma grande paixão nas gravuras) terem um destaque fundamental nas composições dessas obras. Elas se assumem como colagens, mas meio que quebram a harmonia perfeita de suas notas buscando assim o improviso. Obras como as dos artistas Mario Goldzweig (Jazz & Bossa); André Miranda (Black) me remeteram ao lúdico, da época de minha infância em que eu colecionava álbuns de figurinhas. Loo Stavale em obras como Dança Selvagem carrega toda a sua carga disco music em um perceptivo espirito fanzineiro. Sua deusa Shiva, divindade feminina e “não-grega” transita através dos tempos. Em suas mãos, ao invés de elementos de sacrifícios, instrumentos musicais; o Jazz de Paulo Jorge Gonçalves nos permite ver todas as suas notas escapando da harmonia convencional e assim criando ruídos. Enfim, Marcelo Oliveira, transita entre o popular e o erudito, quando mescla estas vertentes culturais de nossa realidade social tão oposta em simples convites ou entradas de shows, pondo em cheque o que é legitimado como musica e o que é apenas ruído inculto.
Consciência humana- as essências da afro-brasilidade.
Exposição não divulgada sequer pela instituição (até este momento que escrevo). Talvez eu esteja realmente imaginando coisas só porque esta exposição trata uma questão ainda não muito resolvida em nossa sociedade: consciência negra. Ou questões raciais, como preferirem. Mas o assunto é o mesmo. Eu, ao visitar a exposição Notas gráficas – gravuras contemporâneas, a convite de uma amiga que tem seus trabalhados expostos nesta exposição (Loo Stavale), casualmente percebem (e fui presenteado por isso) que ali que havia uma outra exposição que sequer foi citada em nenhum canal de mídia ou ao menos na internet, ao menos na semana da consciência negra.
Mas enfim, por conta destes detalhes fico aqui sem saber ao menos o nome do curador e os principais motivos que fomentaram o projeto. Mas não deixo de mergulhar nela. E o que vejo é uma aula do quanto à arte de fato não é domínio de poucos privilegiados. Ela é acessível a todos. Todos nós somos capazes de fazer arte sem um gênio artístico.
A exposição em si funciona como memória. Mas não uma “memória primitiva” como teimamos em estigmatizar um povo; uma etnia. A memória é uma memória contemporânea. Do lugar. Do aqui agora, mas ainda prestando respeito com o passado. Esta memória é a nossa diáspora. É aqui que devemos assumir nossa afro-brasilidade.
Instrumentos étnicos que são aqui reproduzidos por artistas contemporâneos (Fallou Diop), e esculturas que remetem a Giacometti Fanta e Falla Dioup e as fotografias documentais e cotidianas de Ymoraz 2007/2008, nos levam ao velho continente africano. Longe das imagens desgastas do sofrimento, mas de um povo que tenta se reerguer no pós-colonial. Imagens magnificas de extrema beleza estética.
Mas certamente é na série Cartão postal do instituto de alunos d’Espoir, Senegal, 2011, que passamos a entender que a arte é de fato a própria vida, logo, toda a vida é obra de arte. E somos criadores, logo, capazes de produzir arte. E isto fica evidente nos seus retalhos de tecido sob papel cartão.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
JAZZ,BOSSA NOVA E SAMBA: RITMOS GRÁFICOS
Paul Klee e Wassily Kandinsky investiram nessa relação
entre som e imagem e podiam compor, em cores, um universo que tem raiz nas
particularidades sonoras das estruturações musicais.
Já as partituras de John Cage, são desenhos-sons
provocadores que questionam o lugar do músico e do desenhista ao oferecerem um
caminho não linear que instabiliza as formas tradicionais para pensar as
relações de produção de música e imagem. Como construir uma imagem a partir de
um som? A presente exposição nasce dessas inquietações, onde muitas perguntas
buscam possíveis respostas ao escolher três sonoridades, Jazz, bossa nova e
samba, para um exercício de percepção onde notas, ritmos e melodias alimentam o
caminho criativo dos artistas que se utilizam da gravura em metal ( lavis, água
forte e água tinta) para compor uma outra sonoridade sob o ritmo gráfico da
prensa.
Paulo Jorge Gonçalves
Meu texto no folder da exposição Notas Gráficas
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
TOPOGRAFIAS DO OLHAR NO MAPA DAS ARTES
http://mapadasartes.com.br/espacos.php?id=1081&ncid=2&lid=2&pg
- A mostra coletiva Topografias do Olhar reúne obras em diferentes técnicas e suportes de Gian Shimada, Marcelo Oliveira, Juan Moura, Paulo Jorge Gonçalves e Alexandre Alves (de 04/12/13, às 19h30, a 09/01/14).
- Copacabana: av. Atlântica, 4.240, loja 333, Shopping Cassino Atlântico, tel. (21) 8582-0008. Seg. a sáb., 13h/18h.www.galeriadeartehrocha.art.br
domingo, 24 de novembro de 2013
TOPOGRAFIAS DOS OLHAR - OSVALDO CARVALHO
Topografias do Olhar
Frente
a um princípio científico estamos inexoravelmente imbuídos de um arcabouço
teórico que compreende a realidade ou aquilo que univocamente entendemos como
verdade. O olhar como método de estudo dos princípios necessários para a descrição
e representação das superfícies é, diante daquela premissa, paradoxal, não
possuindo os meios de quantificação, mensuração ou mesmo de exatidão da coisa
em si, ainda que a perceba no seu todo. E é justamente aí que residem as artes
visuais, no campo flutuante entre palpável e impalpável, analítico e abstrato,
centrado e periférico, materializado e disperso, orgânico e inorgânico.
Nesse
contexto cinco artistas de convívio intenso por um longo tempo vasculharam e
evidenciaram em suas pesquisas artísticas as disparidades formais de suas
criações que, contudo, no lugar de provocarem distanciamentos ou
estranhamentos, criaram pontos de convergência que os uniram oportunamente.
Cada qual, ao seu modo peculiar de encarar o embate frente o ato criador, estabeleceu
parâmetros passíveis de desenvolvimento de um olhar topográfico sobre o mundo
ao redor. Encontramos nas obras de Alexandre Alves o equilíbrio entre o tangível
e o intangível em suas imagens capturadas de um instante. São como flutuações
cromáticas de uma televisão sem sintonia, mas ao congelar o tempo em que elas
se dão, ele tornou possível percebê-las em cada um de seus elementos
constitutivos. Paulo Jorge Gonçalves tem como plataforma de investigação
esmiuçar a simplicidade de determinados elementos num gesto contínuo e
repetitivo, quase à exaustão, evidenciando uma energia pulsante em cada uma
delas as quais trespassa e/ou funde abstrações num contraponto fervoroso que
amplifica o gesto gráfico desse artista. Próximo a essas tratativas propostas
por Paulo encontramos as propostas de trabalho de Gian Shimada que investe boa
parte de suas reflexões nos descartes do próprio circuito de artes, momento que
vincula sua produção ao caráter histórico que a arte possui ao mesmo tempo em
que personaliza uma determinada linha crítica na qual atiça a brasa sobre
questões de circuitos ideológicos cuja ação remonta aos anos da década de 70 do
século passado. Marcelo Oliveira traz para o cenário imagético que constrói toda
a dispersão possível do olhar cotidiano, aquele que se habitua à presença
massiva da ordem que em dado momento o torna simplesmente invisível: são
placas, letreiros, pichações, tudo junto num emaranhado informativo que se
institui não mais por suas diretrizes convencionais, mas pela singularidade
criada pelo acúmulo de ações aleatórias. João Moura, por seu turno, sustenta a
necessidade de reportar topografias do corpo, do homem organicamente presente e
ícone dos acontecimentos, também envolvido com o cotidiano, porém moldando
alegorias contemporâneas, quase cruas em seu relato particular do mundo que vê.
Topografias do Olhar reúnem os relatos de artistas
sensíveis ao seu tempo e abriga a diversidade de formas e conteúdos presentes
nas suas obras, mas é antes de tudo um consenso de se permitir o convívio de
diferentes maneiras de pensar e representar a vida.
Osvaldo Carvalho
sábado, 23 de novembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
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